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Ana Luísa Amaral - Entre dois rios e outras noites

Por Rosa Maria Martelo, publicado em 18.5.2008 na secção Recensões Críticas

Ana Luísa Amaral - Entre dois rios e outras noites. Porto: Campo das Letras, 2007.

Em Entre Dois Rios e Outras Noites, há um poema que termina com a mesma pergunta que antes lhe servira de título: «Que escada de Jacob?». Trata-se de um texto em que a morte estará muito presente, como de maneira algo velada logo é sugerido pela dedicatória — «A meu pai (23 de Dezembro de 2002)». Mas, ao recordar situações de grande cumplicidade vividas entre pai e filha, este é também um poema de celebração dos laços de afecto e da vida humana. Ao longo de várias estrofes, são lembrados três momentos de intensa emoção. É-nos dado ver um pai e uma filha partilhando o mesmo entusiasmo «[n]a noite em que a lua foi pisada pela primeira vez» (p. 109), e depois vemo-los novamente muito próximos, embora de outra maneira, em dois tempos de passagem ou de progressiva transformação da filha-criança em mulher: um exame escolar, a que o pai assiste em grande nervosismo, e a experiência da maternidade, da qual se aproxima «[…] retalhado entre amor / e alegria» (p. 110). Separados estarão apenas no final do poema:

Na noite em que a lua te deixou,

em que deixaste de sentir a sua luz, o mais trémulo toque,

tudo o que assim nos faz: frágil, imensa, humana condição,

na noite dos fantasmas e escafandros cinzentos,

eu não estava contigo.

(p. 110)

É neste contexto, e perante esta separação, que surge a referência à Escada de Jacob, e com ela também a sugestão da possibilidade de ligar dois reinos que se diferenciam e existem separados. Entre os vivos e os mortos, entre o mundo dos deuses e o mundo dos humanos, entre o eu e o outro quando movidos pelo afecto, o poema pergunta por essa Escada que Jacob viu em sonhos, ligando o Céu e a Terra.

Começo por recordar este poema porque ele apresenta de maneira muito clara uma linha de pensamento que estrutura todo este livro de Ana Luísa Amaral — e não é de ânimo leve que uso aqui a palavra pensamento, como tentarei mostrar. Logo no título, Entre Dois Rios e Outras Noites, a preposição entre, associada ao numeral dois, enfatiza um dispositivo essencial à meditação que irá atravessar e articular grande parte dos poemas deste livro: esse entre-dois enfatiza a possibilidade de relação contida no que é distinto quando este se abre ao acolher da diferença (repare-se que «dois rios» é aqui um sintagma de algum modo equivalente a «noites», já que o título diz algo como «entre dois rios e outras noites — que não esses rios, ou que não essas noites»). De certa maneira é isto mesmo, é esta possibilidade de relação, o que a Bíblia procura representar no episódio do Sonho de Jacob, ao ligar o reino dos Céus e o da Terra.

Num ensaio dedicado à ideia de relação, Jean-Luc Nancy afirma a dada altura, reportando-se à relação sexual mas abrindo-a de imediato a uma acepção mais ampla, que nada definirá melhor a relação do que «a intimidade do infinito e a infinidade do íntimo». (Jean-Luc Nancy, O «Há» da Relação Sexual (2001), trad. e notas de Pedro Eiras, Famalicão, Quasi Editores, 2008, p. 50.) E, recorrendo ainda às palavras de Nancy, poderia dizer-se que, em sonhos, Jacob teria visto algo como o que este filósofo descreve enquanto duas realidades «abrindo uma à outra a intimidade do seu infinito» — no caso, a realidade humana e a divina (ibid.).

Para falar do mais recente livro de Ana Luísa Amaral, das dualidades que o compõem e das relações que através delas se estabelecem, precisarei então de deixar claro desde já que entenderei o «Entre dois...» apontado no título deste livro como uma figura da relação. E preciso igualmente de sublinhar, tal como o faz Jean-Luc Nancy quando propõe uma ontologia da relação, que esta nunca é um terceiro. «[A] relação não é nenhum ente», esclarece Nancy, [não é] nada de distinto, mas sim a própria distinção. Ou mais exactamente, é o distinguir-se no qual o distinto tem a sua propriedade, e tem-na apenas em relação a outros distintos. [...] Relacionando-se, o distinto distingue-se: quer dizer, abre-se e fecha-se ao mesmo tempo» (ibid. p. 27). É por esse motivo que Nancy define a relação como sendo da ordem do incorpóreo, do qual os estóicos conheciam quatro instâncias que o filósofo apresenta como sendo as quatro condições do sentido: «o espaço, o tempo, o vazio e o lekton (o dito, o enunciado)» (ibid., p. 26).

No primeiro poema deste livro, que, apresentado como uma secção autónoma, constitui uma espécie de preâmbulo — «Se tudo fosse só êxtase súbito (sete andamentos)» —, Ana Luísa Amaral elabora várias dualidades. Há a referência a dois rios, que podemos entender, em sentido autobiográfico, como sendo o Tejo e o Douro, mas que rapidamente ganharão outras amplitudes; há «o corpo deitado na cama, ao lado de outro corpo»; há o corpo e o coração, o coração e o pensamento; há «duas linhas de amor» — que podemos fazer corresponder à escrita e à vida —; há a linha da história e a do papel, o branco e o negro, a escrita e os fantasmas, duas espadas, o eu e o outro. Cada uma destas dualidades corresponde não apenas a dois distintos, mas também à afirmação da sua porosidade, isto é, ao seu estar em relação, ou na diferença que as abre entre si a um reenvio infinito, e que, por isso mesmo, também as impede de se fecharem em qualquer tipo de circularidade. E podemos até notar uma outra coisa: com este poema preambular, a poesia de Ana Luísa Amaral coloca-se igualmente em relação com outro distinto, este mais formal, ao abrir pela primeira vez no seu interior um espaço para a prosa, que no entanto permanece um outro, como é assinalado pelos itálicos. Entre a prosa e a poesia, o que este poema propõe é uma espécie de relação íntima, mas construída sobre diferenças que esta articulação não anula nem esconde, antes põe em evidência. Ana Luísa Amaral não procura esse registo «nem verso nem prosa» que, segundo Jean-Marie Gleize, seria a grande ambição de muita poesia recente; em vez disso, abre um espaço de diálogo onde a prosa mais parece surgir como uma intromissão dessa outra linha de amor — a vida — que teria ficado do lado de fora da escrita, mas que a poesia procuraria, deste modo, abraçar. (Apud Michel Sandras, «Le poème en prose: une fiction critique?», Jean-Nicolas Illouz e Jacques Neefs, org., Crise de Prose, Saint-Denis, Presses Universitaires de Vincennes, 2002, p. 99.)

Considerando a sucessão de dualidades apresentada neste poema, apetece perguntar pelo que se seguiria à oração condicional apresentada de maneira autónoma no título: — o que aconteceria «[s]e tudo fosse só êxtase súbito»?

Se tudo fosse só êxtase súbito seria sempre o todo e o um, o todo igual ao um, e o entre-dois não poderia ter lugar: «Dois não perfazem um», diz Nancy, «mas antes dois ímpetos, dois impulsos, um par de forças cujo jogo — o afastamento no contacto — é necessário para o balanço da maquinaria. Portanto, nunca uma estância, no máximo um êxtase: a relação só está estante no seu êxtase» (op. cit., p. 30).

Embora esta reflexão de Nancy tenha por referência o par entrelaçado, ela não se confina a esse único plano e ajuda-nos a compreender que, se tudo fosse só êxtase súbito, o êxtase transbordaria além do êxtase, transformando-se num ente — que só poderia ser omnívoro. E não haveria espaço, nem tempo, nem o vazio entre os corpos, isto é, não haveria as condições que promovem a relação e o sentido. E também não haveria poesia, porque a poesia, mesmo se deseja o êxtase, trabalha de um modo que se aproxima mais do desenhar da Escada que Jacob viu em sonhos: entre dois reinos, entre dois rios. Se tudo fosse só êxtase súbito, não poderia haver dois rios, dois corpos, e não haveria a vida e a escrita. Sobretudo, não haveria esse ir-para que define a relação entre o eu e o outro, e entre a poesia e a vida, mesmo se a poesia também é vida. Por fim, não haveria esse movimento em que escrever e viver se colocam como dois diferentes inseparáveis, um diante do outro, interpelando-se, como as «duas tendências de voar» que Ana Luísa Amaral distingue, ainda no mesmo poema:

A lua outra vez lua a adormecer

serena, duas linhas

de amor, não sou capaz de mais: não eras tu,

mas eu que não te achava

na confusão de tanto nomear

e o teu nome ficou,

as tuas mãos, os braços verdadeiros,

condenados a folhas de resguardo:

pendentes sobre mim

duas espadas

Como duas tendências

de voar —

(p. 13)

De certa forma, a poesia alimenta-se de não haver esse terceiro em que o êxtase se prolongaria como ente, autónomo, para lá da condição de ser o mais da relação, ou o excesso, entre o que é pelo menos dual. Assim, não admira que num outro poema, «Os perigos do êxtase», que dialoga com o primeiro texto do livro, encontremos essa figura do um que é o ovo, rapidamente ameaçada «quando o real / invade / e se estilhaçam luzes / da cozinha». Pensado analiticamente, o «êxtase maior» que é cozer um ovo, desdobra-se, desestabiliza-se — e estilhaça:

E a cor

que a casca ganha

tão gratuita

e bela

desfaz-se perante

a gema,

monótona,

amarela

(p. 32)

Creio que, de muitas maneiras diferentes, este livro de Ana Luísa Amaral procura pensar a ideia de relação tendo por referência distâncias, diferenças e pontes que se situam no tempo, no espaço, ou no intervalo entre a palavra e a experiência vivencial. Mas, se ao longo da segunda secção do livro — também ela intitulada, tal como o poema que acabo de referir, «Os perigos do êxtase»—, o amor é abertamente associado com o desejo e com a falta, já na secção «Teares da memória» ele é revisitado em contraponto a esse ir-para que o poema continua a procurar:

Em linhas ou palavras a linguagem

que temos é sempre outra: É também

outra

Sonhar uma diferente,

a mesma que abrangesse outros sentidos

e semelhantes corpos

Entender-se por fim a utopia

que alimenta esta ilha

de perfeitos demais

(p. 39)

Além de ser um livro construído sobre dualidades, Entre Dois Rios e Outras Noites é, portanto, um livro que pensa a dualidade e coloca frente-a-frente o que se distingue e se diferencia, como se procurasse no entre-dois tudo quanto serve a aproximar ou ligar. Mas, ao mesmo tempo, também são analisados aqueles casos em que a dualidade não se produz: «O fundo do abismo /ou da muralha / saber até à precisão mais certa / as unhas de distância /para o céu» (p. 84), lemos num poema. Ao que se segue um dos mais abruptos e violentos versos do livro: «Horror é conhecer». Do mesmo modo, o par amoroso pode ser reduzido à fantasia de um só, daquele/a que o sonha — e descobre, afinal, que apenas na escrita vai poder encontrar uma relação dual. Os poemas «Em simulacro: os Anjos» e «Pequeno comentário sem canção incorporada» poderiam servir aqui de exemplo na sua totalidade, mas cito apenas um fragmento do segundo:

Saber que se perdeu,

Dizer: «não há doçura no ar

Que me respiras, porque não me respiras.

Tu respiras por ti, e a minha inspiração:

Musa de mim»

(p. 102)

Se nesta secção encontramos, compreensivelmente, a figura de um «despojo de anjo, asas cortadas» (p. 97), já a quarta secção do livro, «Deste lado do tempo», abre com um poema no qual veremos novamente a figura de Jacob, agora em luta com o Anjo. O Anjo é inicialmente «um desigual humano» (p. 45), um enviado de Elohim (isto é, de Deus, numa formulação antiga que aqui evoca o vocabulário de William Blake). Mas, na segunda parte do mesmo poema, Jacob descobre no Anjo um seu igual, tornando-se aqui possível olhar a face de Deus e não morrer. Deuses e humanos são semelhantes, porque o diálogo na diferença os abre a descobrirem essa semelhança:

Saber das suas asas

e das minhas,

que as suas pernas junto

a mim caminham

e o rio que nos separa:

um rio igual?

(p. 47)

Um deus cuja face não se pudesse olhar representaria o êxtase transformado em ente, seria a possibilidade de a relação acontecer como um terceiro, e deixaria sem trânsito a oposição entre o sagrado e o profano. Não admira pois que Jacob seja ainda recordado num outro poema, «As mais epifanias», onde surge em luta com demónios. Neste poema, que começa com os versos «Epifanias de absoluta dor: / olhar a luz maior e não cegar» (p. 52), é retomado um desafio que evoca um poema de outro livro, «Orfeu do Avesso», de Epopeias. Recordo o início e o fim desse poema mais antigo — «De pé sobre o abismo / e não morri: // [...] // Ao fundo do mais fundo / mergulhei / e não morri: / amei» — pois queria lembrar que certos versos que encontramos em «As mais epifanias» — «o não atrevimento de olhar tudo / de frente», «contemplar o inferno e não descer / ainda, o resto — e não subir» — sinalizam a ousadia que aqui faz da poesia um desafio. Ora esse desafio corporiza uma Escada de Jacob, a unir os humanos e os deuses. Voltamos, assim, a um tema caro a Ana Luísa Amaral, que é o da experiência do excesso, sempre mais puro e absoluto na escrita do que na vida.

Neste novo livro de Ana Luísa Amaral, o humano não se separa nunca do pó da terra, do horror, do sofrimento. As quatro partes do poema «Imagens de guerra» — e não por acaso são quatro, como eram quatro os Cavaleiros do Apocalipse — são eloquentes, bem como a epígrafe que as precede: «os divinos moinhos moendo devagar /fina farinha, inúteis mares de pó» (p. 54). E todavia, no poema que a este se seguirá, encontraremos um anjo que, como Damiel, no filme As Asas do Desejo, de Wim Wenders, escolhe ser terreno:

E quando se rasgou o tempo outro

E ele acordou, refeito e bocejante,

Viu que era bom ter nome, e sede, e fome,

Cinco dedos nas mãos — algum olhar.

(p. 59)

Pensa-se naquele momento do filme em que Peter Falk, interpretando um inesquecível ex-anjo, diz a Damiel/Bruno Ganz algo como isto: «Aqui, fumamos, tomamos café. E quando o fazemos com alguém é fantástico. [...] Ou quando temos as mãos frias, esfregamo-las uma na outra, e é bom, sabe mesmo bem.»

Como se vê, Entre Dois Rios e Outras Noites desdobra-se em movimentos que transpõem o que é da esfera do sagrado para a esfera do humano, como se pela escrita se tocasse algo que pertence a esse outro lado e que, assim «contagiado» de humanidade, transitasse para o lado do profano, mas trazendo ainda as marcas da sua origem (Cf. Giorgio Agamben, Profanações, Lisboa, Cotovia, 2006, p. 105). Mais do que atingir o outro lado da Escada de Jacob, trata-se, sobretudo, de abrir espaço ao sagrado, para o descobrir, afinal, ascese humana e terrena, o mais humano do humano. E infinitamente humano será, por exemplo, o que excede a razão, ou seja, a imaginação (cf. «Newton, ou o exílio»); ou seja, a pura alegria contida no humano desejo, no jogo das diferenças.

Que mística haverá

Neste colocar versos, uns sobre os

Outros, peças de jogar, pirâmides

De plástico ou madeira,

Os faraós ausentes?

Convoco o sol, que é meu,

mas não aquece

E sou quase completa nessa

imperfeição1

(p. 66)

Talvez o desejo de ver as coisas nítidas, expresso (passe a formulação) na prosa do primeiro poema, tenha tudo a ver com este trânsito que relaciona sem abdicar das diferenças. Porque, para todos os efeitos, há sempre um «além» (e os ecos de Sá-Carneiro não são por acaso), uma fronteira que permite pressupor dimensões de sagrado e de absoluto, embora depois elas venham a coincidir com essa margem de desejo em que o ser humano se recusa ao conformismo do menos ou do possível. É isto uma posição política? Eu diria que sim, e que deste modo se atribui uma dimensão ética à poesia.

Por isso, além dos rios que se repetem por vários poemas, repetem-se também múltiplas pontes, e o livro termina com um extenso poema de ressonâncias pessoanas, no qual encontramos um pastor de sonhos — «estatuário também (quando gostava)» (p. 117) — desejando «[...]viver no avesso, / em rio de vária margem» (p. 121). Pastor de sonhos, capaz de esculpir cada uma das suas ovelhas-sonhos, pertencem-lhe as palavras que encerram este livro:

E desejar

Era maior que tudo

- o mais vivo navio

para a viagem

(p. 124)

O poeta (a poetisa, esta?) é aqui investido(a) de grandes poderes, como de resto sempre o foi, nesta poesia, por muito que a auto-ironia e o humor pareçam moderar-lhe os efeitos (e ambos continuam presentes neste livro). Fala-se dos seus segredos de magia, de ousadia, do seu muito saber transfigurar. E dos feitiços guardados em Livro de Receitas — receitas mágicas, evidentemente (p. 101): «(Mas o fundamental está no sapato: / curto e brilhante, /leveza de staccato, /decorado com astros — e com / escamas)» (p. 83).

Gostaria, para concluir, de deter-me um pouco neste sapato que, por sinédoque, remete para aquela que o traz calçado, quer dizer, para uma certa representação de poetisa. Decorado com astros como o sapato de um mágico, e com escamas, como o de uma feiticeira, ele resume toda uma poética. Porque é curto e brilhante (nítido) como o são tantas vezes os versos de Ana Luísa Amaral. Porque o seu staccato faz pensar nas disjunções tão características da sintaxe desta poesia e na forma como através delas se destacam os sons e as palavras. Porque, acima de tudo, a imagem do staccato faz pensar na importância que esta poesia atribui ao ritmo do verso, tão acentuado neste livro pela rima. E porque, no seu todo, este sapato — leve, breve, fulgurante e cheio de brilhos — é uma imagem da plenitude procurada na escrita e do prazer que vem dos sons, quando se atraem uns aos outros em relações perfeitas. E acrescentaria apenas uma nota final, para lembrar que, no seu excesso tão barroco, este sapato traz os astros para perto do chão. Como se, a seu modo, nos dissesse que só por nos sabermos tão perto do pó da terra é que vemos tão altas as estrelas.


Nota 1 Valeria a pena reflectir sobre a forma como, neste poema, é elaborada uma relação entre a poesia e o jogo. Agamben analisa as relações entre jogo profanação e secularização, fazendo notar que a esfera do jogo e a do sagrado são muito próximas, uma vez que grande parte dos jogos que conhecemos deriva de antigas cerimónias sagradas (Cf. Idem, p. 106). E conclui: «o jogo liberta e afasta a humanidade da esfera do sagrado mas sem a abolir pura e simplesmente. O uso a que o sagrado é devolvido é um uso especial que não coincide com o consumo utilitarista» (107). Torna-se interessante notar que, ao ser aproximada do jogo, a escrita adquire, neste excerto, uma posição idêntica.


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