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os directores Reynaldo dos Santos
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Bernardo Marques · Hernâni Cidade · Jacinto do Prado Coelho · José-Augusto França

Director da Colóquio, Revista de Artes e Letras: 1959-1970

(ver homenagem no N.o 59, por Azeredo Perdigão, Hernâni Cidade e Raul Lino)

Nasceu em Vila Franca de Xira, onde fez os estudos primários e secundários. Estudou Medicina em Lisboa, onte teve como mestre Ricardo Jorge, concluindo a licenciatura em 1903. Entre 1903 e 1905, para além do estágio em Paris, realizou visitas a clínicas em Boston, Chicago, Rochester, Baltimore, Filadélfia e Nova Iorque. Concluiu o doutoramento em 1906 com a tese Aspectos Cirúrgicos das Pancreatites Crónicas, iniciando a docência na Faculdade de Medicina de Lisboa. Em 1910 preparou um Curso Livre de Urologia no Hospital do Desterro, onde introduziu a urorritmografia. Nos vários estágios realizados entre 1909 e 1914, passou por Berlim, Kummel, Veneza, Viena de Áustria, Londres, Hamburgo, Bremen, Bona e Bruxelas.

Durante a I Grande Guerra desempenhou missões do Governo junto dos exércitos aliados, tornando-se membro do Comité Inter-Aliado para o estudo da Cirurgia de Guerra. Participou como cirurgião nos hospitais ingleses do Norte da França e depois como consultor de cirurgia do Corpo Expedicionário Português.

No regresso a Portugal, e na sequência de diferendos em relação ao ensino e à organização hospitalar, Reynaldo dos Santos foi suspenso da Faculdade de Medicina, dando então início a aulas não oficiais no Hospital de Arroios onde impulsionou a investigação experimental. Tornou-se director do Serviço de Cirurgia Geral deste hospital em 1925.

Em 1927, Egas Moniz obteve a primeira imagem arteriográfica dos vasos cerebrais. Reynaldo continuou essa investigação ao nível das artérias periféricas, realizando a primeira aortografia em 1929, exame que contribuiu para um melhor estudo dos tumores, anomalias e traumatismos do rim. Em 1930 ocupou a recém-criada cátedra de Urologia do Hospital Escolar de Santa Marta e em 1941 a de Patologia e Terapêutica Cirúrgica da Faculdade de Medicina de Lisboa, passando no ano seguinte a director da Faculdade. Na mesma instituição, foi professor catedrático de Clínica Cirúrgica de 1948 a 1950, ano em que se jubilou. Presidiu à Academia das Ciências de Lisboa entre 1961 e 1963.

A paixão pelas Belas-Artes nasceu enquanto estudante, quando participou em campanhas arqueológicas, estendendo-se o seu interesse a todas as outras artes. Foi colaborador das revistas Seara Nova, Atlântida e Lusitânia, ao lado de António Sérgio, Carolina de Michaëlis, António Lopes Vieira, Raul Proença, Câmara Reis ou Francisco de Lacerda.

Foi um dos fundadores da Academia Nacional de Belas-Artes (1924) e da Academia Portuguesa de História (1932), sócio honorário da Sociedade Nacional de Belas-Artes, académico emérito da Academia Mondiale degli Artisti e Professionisti de Roma (1957), professor honorário de História de Arte da Escola de Belas-Artes da Universidade da Bahia (1959), vogal correspondente da Academia Brasileira de Letras, presidente da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa (1964-1967).

Fonte: Carlos Vieira Reis, Reynaldo dos Santos (da série Vidas Lusófonas).

Bibliografia activa
Álvaro Pires de Évora, Pintor Quatrocentista em Itália (Lisboa, 1922), A Torre de Belém, 1514-1520 (Coimbra, 1922), As Tapeçarias de Arzila e Tânger (Lisboa, 1925), Sequeira e Goya (Madrid, 1929), A Arquitectura em Portugal (Lisboa, 1929), O Mosteiro de Belém (Jerónimos) (Porto, 1930), Les Manuscripts enluminés en Portugal (Paris, 1932), O Políptico da Madre de Deus de Quintino de Metsys (Lisboa, 1938), L’Art Portugais: architecture, sculpture, peinture (Paris, 1938; Lisboa/Porto, 1949), Os Primitivos Portugueses (1940; 3.ª ed. corrigida e aumentada 1958), O Espírito e a Essência da Arte em Portugal / A Pintura Portuguesa no Século XVII / Sequeira e Goya (Lisboa, 1943), A Evolução e o Sentido Cultural da Arte Portuguesa (Lisboa, 1946), A Escultura em Portugal (1948-1950), O Estilo Manuelino (Lisboa, 1952), História de Arte em Portugal, vol. III — O Barroco (Séculos XVII e XVIII), (Porto, 1953), O Romântico em Portugal (Lisboa, 1955), Nuno Gonçalves, pintor português do século quinze e o seu retábulo para o mosteiro de S. Vicente-de-Fora (Londres, 1955), O Azulejo em Portugal (Lisboa, 1957), Ourivesaria Portuguesa nas Colecções Particulares, com Irene Quilhó dos Santos (Lisboa, 1959-1960), História del arte portugués (Barcelona, 1960), Faiança Portuguesa, Séc. XVI e XVII (1960), Lo románico en Portugal (Madrid, 1961), As Artes Plásticas no Brasil: Antecedentes Portugueses e Exóticos, (Rio de Janeiro, 1968), Oito Séculos de Arte Portuguesa: História e Espírito, com Irene Quilhó, Lisboa, (Lisboa, 196?-1970).

Colaboração de Reynaldo dos Santos na Colóquio, Revista de Artes e Letras